Consultor ou “guru”? Livrando-se dos oportunistas de plantão
May 11th, 2010
Retomando os trabalhos deste blog, quis escrever sobre algo que vem me irritando a cada dia: a corja de gente oportunista que aparece aqui e ali, ainda mais nas redes sociais, querendo se colocar como referência, especialista, papa, guru, dono da verdade ou coisa parecida, sem ter o menor cacife para tal. Gente que aparece em mil lugares, figurinha fácil nos eventos, nos “networks do mercado”, vive cheio de cartões de visita à disposição e coleciona outra centena para encher o saco com suas propostas megalomaníacas.
Por outro lado, existem aqueles que realmente são referências em seu mercado (óbvio que estou sendo específico em comunicação e marketing, o que tratamos aqui), mas essas pessoas apresentam características bem específicas e bem distantes desse outro pessoal do “oba oba”, que até chegam (pasme!) a escrever um livrinho, sempre muito vazio, claro. Ainda assim conquistam uma série de pessoas (que não o leram, impressionante!) por isso.
No período em que este blog ficou fora do ar, fiz um curso único, muito precioso, com uma dessas reais referências, o Carlos Nepomuceno. E as aulas contribuíram demais para que eu conseguisse separar o que é realmente o cara que se propõe a ser um nome de referência, com trabalho verdadeiro, e o que no fundo “panfleta digitalmente” seu ego. O curso não era sobre isso, mas alguns insights foram bastante importantes. Não apenas os dele, mas da turma incrível que encontrei por lá também, entre alguns antigos e novos amigos.
Vale sua atenção a esses pontos e também o cuidado para não cair em armadilhas nem em falsos sorrisos em eventos. A corja precisa evangelizar alguns tontos. Não seja um deles.
O Ego
O guru adora dar um conselho. Afinal vem dele, o ser supremo. Já o consultor é questionador, te desafia, provoca. Quando você sai cheio de pontos de interrogação e feliz por estar assim, tenha certeza: o cara é bom;
A Razão
O consultor de verdade nunca precisa da responsabilidade de estar com a razão. O compromisso dele é com a aprendizagem. Dele e sua. Ou melhor, sua e dele. O cliente na frente, claro. Já o bonitão do “oba oba” vai procurar estar certo sempre, pode apostar. O famoso “dono da verdade”;
A Descoberta
Se um consultor oferece soluções, o principal passo é descobrir quais são elas. Muito óbvio. Mas o falso consultor está tão preocupado com sua própria afirmação que não é possível enxergar o óbvio;
“Eu sei”
Por proteção, todos nós dizemos saber coisas que no fundo não sabemos. Isso não é uma característica apenas dos gurus. Um consultor de destaque será aquele que souber trabalhar a humildade de forma positiva, e apresentar como proposta algo como “eu não sei, mas vamos descobrir isso juntos”; e
Menos análise
Kotler acaba de lançar o “Marketing 3.0″, que farei resenha em breve. Um dos pontos principais do livro é que o marketing tornou-se mais humano, com valores ligados à cabeça e ao coração. Muita análise já é passado. Um bom consultor não é aquele cara sorridente da foto do próprio site, ou dos tapinhas nas costas que adora dar em todo mundo nos eventos, das listas que cria das “referências que acredito que vão me levar a algum lugar e difundir meu trabalho, por isso vou colocá-las aqui” etc. É um profissional que se mostra humano acima de tudo. Quer entender seu problema, que se interessa por seu aprendizado.
Esses pontos são bem suficientes. Não se trata de “receita de bolo”, longe disso, mas pegue o perfil de um bom nome de comunicação e marketing, vá até o site desse profissional, busque no Google, leia o que ele fala no Twitter, principalmente o que falam dele, e compare da mesma forma com o a pseudo referência das redes sociais. Tome muito cuidado. Tem gente por aí sem estrada alguma dizendo que faz e acontece. Conheço estudantes de comunicação que já fizeram bem mais.
Caia fora dos oportunistas. Não vale a pena perder um segundo com esse tipo de gente. Não é muito difícil perceber quem eles são. E aproveite também para colocar a boca no mundo contra essas pessoas. Elas prostituem o seu mercado e dificultam demais a evolução dele.
Bom estar por aqui novamente =) Um abraço!



Léo, quando um leio algo que gostaria de ter escrito dou um grande valor a esse texto. Vc tocou em uma questão importantíssima, que discutimos em nosso grupo de estudos. Prefiro acreditar que alguém possa contribuir com um trabalho, respeitando aqueles que lá já estão, do que alguém que já chega com as opiniões definidas e os conceitos já pré-determinados. Gurus são chatos, pq não acrescentam. Consultores são legais porque crescem junto com o cliente. Parabéns e bom te ler de volta.
Cara, texto franco, honesto e principalmente desafiador. Tô contigo!!
Oi Leo.
Gostei do post mas não quero elogiar – não apenas porque seria considerado “tapinha nas costas”, não porque pareceria que o chapéu serviu, hehe, mas porque lamento ninguém ter continuado a discussão. Acredito que ela não está concluída.
Veja como percebo seu post, depois veja se pode responder minha pergunta.
Você tocou em situações delicadas, mas fez bem porque embasou com exemplos (botou o dedo na ferida), comparou ao longo dos tópicos (até onde vai um ou outro), encerrou com uma justificativa pra lá de importante e não ficou fazendo propaganda sua.
O que eu questiono é: dizer que um consultor faz isso e o mau faz aquilo não seria também uma forma absoluta, acabada e determinista de termos uma opinião formada previamente, sem analisar o caso? Até que ponto é melhor para o mercado dizermos que o critério para separar os bons dos maus é o número de eventos que ele participa, a simpatia, o fato de escrever ebooks curtos, o fato de não fugir da pergunta e dar sim uma resposta ao invés de devolver outra pergunta?
Concordo com cada uma das suas colocações, mas creio que devem ser usadas como “inspiração para o discernimento”, não como critério. Será que cada cliente tem o consultor que merece? O combinado não sai caro! Não quero acusar o cliente de ruim ou burro, mas, sinceramente, há coisas boas que eu não gosto, e assim deve acontecer com os outros. Tudo tem seu timing. Isso não quer dizer que quase diariamente eu não esbraveje (mesmo que silenciosamente) um “filho da puta!” quando vejo algumas coisas condenáveis. Daí me acalmo perguntando, se de repente não é justo a vida ser assim, um constante ajuste, por exemplo entre namorados, até encontrar a pessoa certa? Da mesma forma, com clientes. Entre consultores e o mercado.
Você credita que um dos fatores que levou à proliferação de mediocridade photoshopada é a “cauda longa” dos nichos intelectuais? Digo, a maior capillaridade e grnaularidade dos problemas, oportunidades, disciplinas e funções profissionais? A realidade ou a interpretação dela está ficando mais vasta e especializada? Isso possibilita fundadores de áreas de (des)conhecimento?
Tá vendo a relatividade das conclusões? Inclusive das que vc expôs? Não consigo nem elogiar em paz, pois faço sim algumas coisas que vc apontou como sinais de falsidade, mas tudo tudo tudo que venho fazendo é por ter sido procurado pelos interessados e convencido de que poderia fazer!
Responde aí!
(Fiquei com vontade de postar sobre o assunto, também).
Abraço